POEMAS

Este pequeno espaço é dedicado aos poemas de Arlete Castro, escritora, mulher, mãe, esposa, brasileira...embora viva em Portugal há mais de 15 anos... apaixonada por Jesus Cristo, o transformador de sua vida!!

Sejam todos MUITO BEM VINDOS!!!

Compartilhe conosco estas lindas palavras!!!

Sábado, 4 de Outubro de 2008

Violino

Violino

Havia música no ar
Ambos estavam sozinhos
Ela com o rosto de quem sonha
Ele como se nada o pudesse intimidar

Havia doçura no ar
Ambos não sabiam
Ela envolta em pensamentos
Ele convicto dos passos a dar

Havia um perfume no ar
Ambos não sentiam
Ela como quem não sabe onde vai
Ele como quem sabe onde quer chegar

Havia convicção no ar
Ela porque sonhava
Ele porque estava certo
Até o momento que cruzaram o olhar

Havia um violino a tocar
Quando um sorriso tímido ela esboçou
E quando num gesto suave
as mãos dela ele tocou

Havia apenas dois a dançar
Envoltos em perfume, doçura, convicção...
Ela porque sonhava
E ele porque encontrara nela
a raiz do seu coração

Havia um violino no ar
e já ninguém a dançar


Arlete Castro
Todos os Direitos Reservados

Viola

Viola

Lembras da cantiga
que nos encantou outrora?

Recordas dos versos
que entoávamos a toda hora?

ou da música suave
que tocavas na viola?

Não havia noite nem dia.
Viviamos em imensa alegria.
Teus sonhos faziam parte dos meus.
Meus gestos tocavam os teus.
Nossos olhos reflectiam um brilho igual.
Teu coração sabia bater o meu.
E até a emoção que aflorava a minha pele,
reluzia no brilho do rosto teu.
E nem sabíamos se era a tua boca que cantava
ou a minha que os versos recitava.
Faz tanto tempo que nem sei.
Quando a velha canção parou de tocar,
Os versos deixámos de entoar,
o brilho da tua pele deixaste ofuscar
e quando o teu coração desaprendeu
Faz tanto tempo que nem sei
Porque foi que a viola morreu.

Arlete Castro
Todos os Direitos Reservados

Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

The Shack by William P. Young. Um livro sensacional que acabei de ler. Este livro fala do encontro com Deus. Fala de restauração e cura e da doçura de um encontro que apesar de tocar no mais profundo da dor, é restaurador e renovador. Um final de semana que marcou a vida do personagem principal, Mackenzie. Estou certa que este livro foi uma maneira de Deus encontrar meu coração, neste momento específico da minha vida.
Recomendo vivamente e soube que ele acabou de ser lançado em português pela Editora Sextante com o título "A Cabana"
Não deixem de ler. Além de tudo é encantador e profundamente doce...

Sábado, 9 de Agosto de 2008

Páscoa

Estava morto e nem sabia
caminhava como se vivo fosse
trabalhava, fazia planos,
sonhava....

Queria tocar o céu.
Pensava que
se alcançasse uma estrela
eterno seria.

Mas estava morto
E ao que chamava mundo
Via-se apenas um vale de ossos...
secos!

Até que para além
dos céus, o Universo
se moveu em força,
para abrir portas
eternas.

Era o Rei que se ausentava
do trono... da glória...
e chegava ao mundo
para dividir a História.


E habitou no meio do vale
de ossos....
secos!

Encheu de graça o caminho
deu guarida, protegeu
até à morte num madeiro
e o castigo que era do vale
caiu sobre Ele!

Era o Rei que se entregava
E era o céu que se aproximava,
possibilidade de vida
aos ossos...secos!

E ele que andava morto
surpreendeu-se com a Luz.
Era a Estrela da Manhã
que ressurgia e lhe mostrava
o Caminho....

E o vale ainda seco
tem agora a chance
de O receber
e como aquele que andava morto,
renascer.....

PORQUE EU SEI QUE O MEU REDENTOR VIVE!
Março de 2008

Arlete Castro
(*todos os direitos reservados)

Relicário

Era tão precioso o objecto
reluzia tal qual ouro refinado
tinha formas, tinha cor
brilhava e nem sabia
escondia-se atrás da dor...

Estava tão esquecido o objecto
passava o tempo guardado
tal qual antigo retrato
empoeirado, embotado
mas sem quase ninguém perceber
que o que nele havia
era um tesouro ancorado.

Era tão tímido o objecto
tinha olhos cor de mel
Que só quem conhecia
é que sabia,
que tinham chorado
muitos sonhos...
apaziguado conflitos
medonhos...
destilado encantos
e tesouros... tamanhos.

Era lindo o objecto
tal qual antigo relicário
habitava nele o Sagrado
mas preferia ser reconhecido
como um vaso de barro encantado
moldado por mãos preciosas
que lhe enxugavam as lágrimas
curavam suas memórias
e reconstruíam o rumo
e os parágrafos da sua história.

Não ele não era um relicário.
tinha olhos cor de mel
e um coração pequenino
que Deus transformou em céu.

Arlete Castro - 31.03.2008
(*todos os direitos reservados)

Depois do vendaval

Depois do vendaval,
a vida se anuncia...
Renasce com o sol
que traz a luz do dia,
O silêncio da prece,
paz que prevalece,
O olor das flores
a revelar caminhos...
Revoada de pássaros
a refazer seus ninhos
E a esperança louçã
de se acreditar de novo,
No novo...No amanhã...

Mistério a desvendar,
Desbravar...
Quem sabe um bem guardado,
Ou suposto legado,
Ah...não fosse o amanhã!
Não fosse o tempo,
senhor da razão,
Que com sabedoria suprema
É bálsamo que alivia,
Distanciando saudade e dor...
E os gritos amordaçados,
lágrimas e apelos,
Perdem força, são amenos
Até se dissiparem
ao vislumbrar salemas...

Depois do vendaval,
a brisa sopra leve
E descreve a rota dos sonhos
Que caminham sobre as águas,
dantes turbulentas,
Agora tranqüilas e serenas...

Depois do vendaval,
Tudo volta ao normal...
Vai a noite, vem o dia
Cotidiano e fantasia
Até o próximo temporal...

Arlete Castro/Carmen Lúcia
(*todos os direitos reservados)

Destino

em meio a um lago ensolarado
navega em sonhos
o poeta apaixonado

rema feroz
corre do tempo
das amarras
e dos vai-e-vem à frente...
que gritam pelo seu nome
e lhe instigam a continuar.


apaixonado o poeta anda pelas ruas
sem ver que, ela, semi-nua
acelera o passo
de mãos dadas com o Destino
desalinhada, esvoaçada
em desatino
não olha para trás
nem lhe dá atenção

o poeta apaixonado sabe
não pode tudo
senão ele a teria
e a procura perderia
o sentido

e a lua
o violão
e a boemia
as amarguras
desilusões
e todos aqueles braços
e abraços anônimos
que lhe cercaram a noite
se desvaneceriam...
atônitos

Arlete Castro e Ivy Menon
(*todos os direitos reservados)